Quem acompanha o que acontece no Centro-Oeste conhece Mato Grosso do Sul, estado que faz divisa com Goiás, pelo Pantanal e pelo agronegócio. Menos conhecida é uma comunidade de casas circulares e telhados em cúpula instalada no município de Corguinho, a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande. Chama-se Zigurats e abriga a sede de Dakila Pesquisas, associação que a apresenta como polo de tecnologia e ciência. Esta reportagem organiza o que a associação e a imprensa publicaram sobre o local, de forma prática, para quem quer entender do que se trata antes de planejar uma visita.
Zigurats em resumo
| Item | O que as fontes informam |
|---|---|
| Localização | Corguinho (MS), a cerca de 100 km de Campo Grande |
| Acesso a partir da capital | Cerca de duas horas e meia, com trechos de estrada de terra |
| Chegada por avião | Voos até Campo Grande, seguidos de deslocamento por terra |
| Visitação | Mediante agendamento antecipado |
| Estruturas descritas | Casas circulares, construções cilíndricas com cúpula e observatório astronômico |
| Mantenedora | Dakila Pesquisas, associação presidida por Urandir Fernandes de Oliveira |
| Proposta declarada | Think tank de inovação e ciência e experimento de economia digital |
Como chegar e como visitar
De acordo com a Gazeta de S. Paulo, o trajeto de Campo Grande até Zigurats leva em torno de duas horas e meia, e parte do percurso é de estrada de terra. A reportagem registra ainda que quem sai de São Paulo de carro enfrenta uma viagem de aproximadamente 16 horas, e que a alternativa é voar de Congonhas ou de Guarulhos até a capital sul-mato-grossense, em cerca de uma hora e quarenta minutos.
A visita não é livre. Quem deseja conhecer as construções e o observatório precisa agendar com antecedência. Para o viajante, isso significa planejar o deslocamento com folga e confirmar o horário antes de sair, já que o acesso final exige tempo e as condições da estrada de terra podem variar.
Planejando a viagem
Quem mora em Goiás e pensa em conhecer Zigurats precisa tratar o passeio como uma viagem interestadual, e não como um bate-volta. Como o acesso final é feito por estrada de terra, vale reservar um dia inteiro para o deslocamento entre Campo Grande e Corguinho, considerando a ida, a visita e a volta. Campo Grande funciona como ponto de apoio natural: é a capital mais próxima, concentra a rede de hospedagem e abriga um dos núcleos de pesquisa da associação.
Antes de sair, o ideal é confirmar o agendamento diretamente com a associação, perguntar o que a visita inclui e verificar as condições de acesso. As informações sobre o roteiro, as regras de visitação e eventuais custos devem ser obtidas nos canais oficiais do grupo, já que as reportagens citadas não detalham esses pontos.
O que se encontra no local
O nome remete aos antigos templos da Mesopotâmia, e o visual do conjunto reforça a referência. Os moradores vivem em casas circulares e em estruturas cilíndricas com cobertura em forma de cúpula, projetadas, segundo as reportagens, para resistir a intempéries. A paisagem urbana foge do padrão das cidades brasileiras e foi pensada como ambiente de pesquisa e convivência.
Entre as estruturas descritas está um observatório astronômico. Moradores ouvidos pela imprensa descrevem Zigurats como um refúgio tecnológico, pensado para reunir pesquisadores, empreendedores e famílias em torno de um projeto comum. Nas atividades de campo, os participantes acompanham palestras que aprofundam os temas investigados pela associação e conhecem produtos e serviços do ecossistema.
Quem mantém a comunidade
A associação é presidida por Urandir Fernandes de Oliveira, que divulga o dia a dia das atividades em seu perfil no Instagram. Segundo a Gazeta de S. Paulo, a comunidade foi estabelecida como um think tank voltado à inovação e à ciência.
Dakila Pesquisas integra um ecossistema que reúne 19 empresas brasileiras de diversos setores. Conforme o Metrópoles, a associação tem como finalidades promover o desenvolvimento econômico e social, combater a pobreza e a miséria, realizar estudos e pesquisas, gerar conhecimento técnico e científico e desenvolver tecnologias alternativas. A matriz fica em São Paulo e a sede, em Corguinho, com núcleos de pesquisa em nove capitais: Campo Grande, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Natal, Fortaleza, Brasília e Salvador. Segundo a mesma reportagem, o grupo tem presença também no exterior.
O ecossistema também mantém uma frente editorial. A Revista Dakila é vendida em edições digitais na loja oficial do grupo, que funciona em português, espanhol e inglês e comercializa ainda camisetas, bonés, canecas e outros itens de marca. A presença da loja mostra que a associação combina atividades de pesquisa e formação com comércio próprio, modelo que financia parte da operação e leva a marca a quem não visita a cidade.
Economia digital própria
Uma das propostas mais comentadas é o experimento de autossustentabilidade econômica. A cidade criou uma moeda digital própria, sustentada por tecnologia blockchain, com o objetivo declarado de consolidar uma economia independente de subsídios públicos. De acordo com a Gazeta de S. Paulo, o sistema permite que empreendedores locais e parceiros situados num raio de 200 quilômetros vendam produtos usando essa moeda, com exemplos como a água mineral e a argila medicinal.
Para quem pensa em empreender no Centro-Oeste, o modelo funciona como estudo de caso sobre circuitos econômicos locais. A reportagem descreve a iniciativa como experimento, e os resultados de longo prazo dependem do uso efetivo da moeda e da adesão dos parceiros.
Parcerias e cooperação internacional
A vertente tecnológica ganhou destaque quando o ecossistema participou da Cúpula de Inovação Tecnológica em Dubai, onde apresentou tecnologias que descreve como quânticas. Segundo o Metrópoles, a Universidade de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, manifestou interesse após o evento, e as duas partes firmaram um memorando de cooperação para pesquisas científicas e o desenvolvimento de novos dispositivos eletrônicos.
O acordo prevê a criação de um laboratório de pesquisa em supercondutividade avançada, com liderança científica do professor Montasir Qasymeh, da universidade, em trabalho conjunto com pesquisadores brasileiros. Os dados técnicos dessas pesquisas não foram detalhados no anúncio. De acordo com os representantes de Dakila, empresas e universidades brasileiras poderão participar dos estudos, o que, em tese, abre espaço para instituições de outros estados, incluindo as de Goiás.
Reconhecimento e presença na mídia
No fim de 2025, Urandir foi homenageado no Troféu ABRID, em cerimônia no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. O comunicado divulgado pelo grupo o descreve como uma das vozes de maior influência digital do país. Na ocasião, o fundador afirmou que a tecnologia ampliou o acesso a conhecimentos antes restritos e permitiu um diálogo direto com o público.
A equipe do programa Melhor da Noite, da Band, visitou Zigurats para uma reportagem, apresentando o local como a cidade das pirâmides e dos mistérios no coração de Mato Grosso do Sul. A cobertura, porém, não é uniforme. Parte das reportagens trata as afirmações do grupo com ceticismo, e veículos como o Correio do Estado e a Gazeta de S. Paulo registram que cientistas e arqueólogos refutam teses defendidas pela associação, que mantém suas linhas de pesquisa e as divulga por meio de publicações e da loja oficial.
Como ler anúncios de pesquisa
Anúncios de acordos científicos costumam gerar expectativa, e o leitor atento pode fazer algumas perguntas simples. Há dados técnicos publicados? Os resultados foram revisados por especialistas independentes? A universidade parceira divulgou o acordo em seus próprios canais? Existem protótipos ou relatórios que possam ser consultados? Nenhuma dessas respostas está nas reportagens consultadas, e por isso o texto apresenta as informações como declarações da associação e de seus representantes.
Esse cuidado vale para qualquer iniciativa que se apresente como polo de ciência e tecnologia: o alcance de um anúncio e a validação dos resultados são coisas diferentes. A cobertura jornalística ajuda a mapear o que foi dito e por quem, e cabe ao leitor acompanhar os desdobramentos e decidir quanto peso dar a cada afirmação.
Perguntas frequentes
Onde fica Zigurats?
No município de Corguinho, em Mato Grosso do Sul, a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande.
É preciso agendar a visita?
Sim. Segundo a Gazeta de S. Paulo, quem quer conhecer as construções e o observatório precisa agendar com antecedência.
Quem mantém a cidade?
Dakila Pesquisas, associação presidida por Urandir Fernandes de Oliveira e integrante de um ecossistema de 19 empresas.
Que moeda circula no local?
Uma moeda digital própria, sustentada por blockchain e usada, segundo a imprensa, em transações com parceiros num raio de 200 quilômetros.
O que acontece nas atividades de campo?
Os participantes acompanham palestras sobre os temas pesquisados pela associação e conhecem produtos e serviços do ecossistema.
As pesquisas têm validação independente?
Os anúncios de cooperação não trazem dados técnicos detalhados, e a imprensa registra que especialistas contestam parte das teses do grupo. Quem quiser se aprofundar deve consultar as reportagens citadas e os canais oficiais da associação.
Para os leitores de CN Goiás, Zigurats é um destino de interesse regional no Centro-Oeste, e o caso de Dakila Pesquisas reúne tecnologia, economia digital e cooperação internacional em um município de Mato Grosso do Sul.